terça-feira, 24 de novembro de 2009

Humor

Sorria.
É a hora do humor.
Ele conversa, dá risada. Tenta me alegrar.
É a hora do humor.
Ele continua brincando, insiste em roubar meu sorriso.
É a hora do humor.
Então finalmente desiste.
Eu não sei rir.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Dia Quente

Era mais um daqueles dias em que a sensação é de que abriram a porta do inferno na cidade. Não se consegue respirar direito e a brasa vêm do chão, das paredes, das portas e, como não podia deixar de ser, das pessoas. Se tem alguma coisa mais incomoda que um dia quente, é sentir tesão em um dia quente. É praticamente insuportável. O tesão, claro, é gostoso, mas o problema são as consequências de se sentir excitado. O sexo parece esquentar ainda mais, mesmo ficando cada vez mais molhado. É uma das únicas ocasiões em que um líquido não refresca, porém pode aliviar. Podemos lembrar que a pior parte de um dia quente é a hora de dormir. Quem nunca rola de um lado para o outro da cama sem conseguir pegar no sono? O calor. Insuportável. Tudo o faz sofrer pelo sono que não chega.

Ela estava na calçada de um buteco qualquer da esquina. Não estaria sozinha nem se vestisse um conjunto singelo de moletom marrom. Sem nenhum homem por perto, sua companhia era uma mulher. Tudo bem que se podia cheirar a tensão existente entre as duas, mas a irritação da amiga marcou o encontro casual. Um problema no serviço causou a súbita mudança de humor e jogou por água abaixo os planos de ir para uma festa de noite. Pelo menos, era o que ele esperava. Ansioso em sua casa há menos de três quarteirões de onde sua namorada flertava discretamente com a amiga. Mas no fundo sabia que estava perdido e seu jeito caseiro não seria respeitado em hipotese alguma, bem como a chance de não passar mais uma noite rolando na cama sozinho. Dessa vez, o calor seria por outro motivo. E bem mais insuportável.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Conselho

Às vezes é bom. Inspira e resgata aquele gás que você não sabia que (ainda) possuia.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Hallelujah

Para ilustrar o post abaixo... ficou meio parecido com o que costumo fazer no Não Gosto de Chico, mas não é um anexo da sessão "Mais do Mesmo" (que também migrou para o Rock in Press)



Leonard Cohen


Rufus Wainwright (A voz dele ao vivo não tem comparação com nenhum outro cantor vivo)


Damien Rice



Now I've heard there was a secret chord
That David played, and it pleased the Lord
But you don't really care for music, do you?
It goes like this
The fourth, the fifth
The minor fall, the major lift
The baffled king composing Hallelujah

Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah

Your faith was strong but you needed proof
You saw her bathing on the roof
Her beauty and the moonlight overthrew you
She tied you
To a kitchen chair
She broke your throne, and she cut your hair
And from your lips she drew the Hallelujah

Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah

Baby i've been here before
I've seen this room and i've walked this floor
I used to live alone before i knew you
I've seen your flag on the marble arch
But love is not a victory march
It's a cold and it's a broken hallelujah

Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah


You say I took the name in vain
I don't even know the name
But if I did, well really, what's it to you?
There's a blaze of light
In every word
It doesn't matter which you heard
The holy or the broken Hallelujah

Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah

I did my best, it wasn't much
I couldn't feel, so I tried to touch
I've told the truth, I didn't come to fool you
And even though
It all went wrong
I'll stand before the Lord of Song
With nothing on my tongue but Hallelujah

Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah

domingo, 14 de junho de 2009

Momento desabafo:

Ressaca + prova da puc + domingo. Redundância? Pelas barbas do profeta.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Silêncio e Ilusão: o único amigo sincero do homem é a cama e o orgasmo.

O que fazer depois de descobrir que você virou apenas mais uma opção descartável no cardápio das pessoas? Até mesmo aqueles amigos de longa data passam a te convidar só quando não tem opção melhor. Será que o tempo passou, as pessoas amadureceram e você não? Ou será que é tão chato que nem mesmo a própria namorada consegue te respeitar e ignora compromissos para ir se divertir? Não que seja uma completa injustiça: você nunca fez tanta questão destas pessoas em sua vida. Indiferença. Comodismo. Eterna solidão. Quais são os verdadeiros amigos capazes de se destacar na multidão? Será que eles conseguem te livrar do silêncio imaginário que domina a sua cabeça durante uma conversa?

O mais irônico é a falsa sensação de liberdade que as pessoas parecem ter. Será que elas realmente precisam de tanto "amor" e comemorações assim? Cumulo da insegurança. O recluso é mais bem acompanhado do silêncio ao contrário do conforto da ilusão das amizades. O sono é o único e verdadeiro amigo de quem pensa. Da mesma forma que Woody Allen já dizia que a masturbação é a televisão do homem inteligente. Com essa combinação, quem precisa de sexo e decepções?

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

A Nossa Própria Alta Fidelidade - Parte 6

1 – Tina

Dizem que encontramos o amor de nossas vidas no lugar menos esperado. Considerando que em toda minha vida, 70% das mulheres que eu já gostei de verdade foram encontradas na Internet, eu concordo! A Tina foi uma exceção. Na época tinha acabado de conhecer a Nádia e minha inexperiência dizia que eu tinha um pré-contrato assinado e que não deveria ficar com nenhuma outra menina.

Uma amiga do Rio de Janeiro, me contou sobre o que a atraia nos homens. Após falar o básico sobre humor e bom gosto musical, ela soltou uma coisa curiosa daquelas que tomam imensas proporções e se tornam lei básica. Ela disse que o cheiro era importante. Eu logo questionei: “Cheiro? Como assim? Se o cara não toma banho, é isso?!”. Após ignorar a minha piadinha, ela disse que não se tratava de perfumes e sim do cheiro natural da pessoa. Achei aquilo tão interessante e desafiador quanto o dia em que travei a aposta de nunca mais tomar refrigerantes na minha vida. Agora, não bastava apenas ser engraçada, ter um bom sorriso, ser inteligente, ter bom gosto musical e cinematográfico, não agir apenas sobre efeitos de bebidas, não me cornear com torcedores do América-MG, ser ciumenta, ninfomaníaca, viajar para shows, ter paciência, bom poder de persuasão, ter os mesmos interesses profissionais e ser bonita, tinha que ter cheiro bom. O cheiro precisava me deixar louco.

Ignorando toda a utopia da mulher perfeita, comecei a pensar em todo mundo com quem já me relacionei. Será que existiu essa química do olfato? Já estava quase desistindo, quando lembrei da Tina e da Carol, por mais que o cheiro viesse dos milhões de perfumes (sério, a garota parecia trazer o Boticário inteiro dentro da mala quando vinha para Belo Horizonte), gostava do aroma natural. Mas como disse, não vou falar sobre as histórias tensas e não engraçadas. A Carol foi a protagonista da escolha do milhão: “Show do Incubus ou Eu”. Só o que vou dizer.

Vamos voltar para o dia seguinte ao meu encontro com a Nádia na feira de Informática. Sei o quanto soa mal falar de relacionamentos paralelos, mas quem é que nunca fez isso? O show do Silverchair. Cheguei bem cedo e no meio da fila, uma loirinha me chamou a atenção (se eu tiver me envolvido com mais de 3 loiras na minha vida inteira, é muito. Elas nunca me dão mole!). Claro que a beleza contou pontos, mas era as coisas que ela estava dizendo para a amiga que me deixou interessado. “Olha, quando a fila começar a andar, a gente se segura pelo cabelo.” Tive que entrar no meio do assunto (outra coisa que raramente eu faço. Nunca puxo papo com garotas na rua. Depois que fui chamado de “homem de vontades e não de sentimentos” por uma amiga em 2002, aposentei meu lado “caçador”. Aliás, esse toco merecia ter entrado aqui na história também!) e então começamos a conversar. Foi paixão à primeira vista. Aqueles olhos verdes, o rosto, o sorriso. Impossível resistir, mas não sei por que diabos, eu o fiz. A fila começou a entrar e acabamos nos perdendo.

No meio do show, após sair da grade, passei a andar pelo local do show e por acaso (há há há) a encontrei. Ela me disse que o namorado havia deixado ela sozinha após uma briga por ... minha causa! Uma coisa que eu aprendi, nunca deixe a sua namorada sair de casa sozinha ou brigue e a deixe sozinha (o mesmo vale para as meninas). No caso, aconteceu deles terem brigado e terminado lá no show (vai entender). Começamos a conversar e me aproximei do rosto dela. Foram vários beijinhos percorrendo aquela pele até encontrar os seus lábios. Quase escorreguei do lugar que eu estava. E o mais incrível, era que o Silverchair estava tocando e eu estava ocupado beijando uma garota que havia acabado de conhecer. O lema de “viva agora” estava mais vivo do que nunca.

Mas eu estava decidido a namorar com a Nádia. Não iria desistir do “contrato mental” que controlava a minha mente e me cegava para o que estava acontecendo diante meus olhos. Chegamos a ficar uma vez antes de iniciar o meu namoro (sim, eu fui fiel) e depois encontrávamos vez ou outra.

Um desses encontros foi um dia depois do meu aniversário e estávamos na praça da Liberdade, lugar mais lindo de Belo Horizonte, tocando violão e bebendo vinho. Tudo conspirava a favor de minha primeira traição oficial. Eu queria muito. Estava bêbado e mesmo assim, consegui me controlar. O olhar da Tina em cima de mim, enquanto ela acariciava meu cabelo, era quase como uma tortura. Quando ela disse que me amava, foi a coisa mais linda e sincera que eu já ouvi até hoje. Deu para ver dentro da alma dela. Ela se aproximou para me beijar e quando os lábios se tocaram, o máximo que aconteceu foi um selinho. Ninguém imagina o quanto eu me arrependo deste momento e da escolha que fiz. Me gabo por poucos arrependimentos na vida, mas por conta deste eu preferia viver arrependendo-se pelos cantos. Foi nesse dia que perdi a chance de uma vida diferente. Mesmo. E lembrando que menos de uma semana depois, a Nádia acordou pensando diferente e terminamos o namoro.

Com nenhum impedimento à vista, decidi que era a hora de investir pesado na Tina. Ganhei um colar daqueles que tem duas metades e é um dos acessórios que costumo usar nos dias que decido usar acessórios. Não sou muito adepto. Começamos lentamente. Achei que podia ser lento, que o importante era que estávamos juntos. Mas não. O importante era o namoro.

Foi na véspera de um show. Me lembro bem disso. Estávamos chegando em setembro (ou outubro) e pensei que havia chegado a hora. A Tina já estava um tanto quanto frustrada por minha lentidão em oficializar as coisas. Até um anel eu comprei. Tinha um plano (idiota) de levar-la para assistir o Cpm22 (ah, não fode! Eu era novo e ela mais ainda) e começarmos a namorar lá. Ok. Tudo certo. Anel, ingresso, mas e a atração principal?

No dia do show, faltando poucas horas para sermos namorados, a Tina me diz que havia desistido do show e que nos dois não estávamos indo para lugar algum e que era hora de terminar. Seco e direto assim. E bem no dia em que iria fazer o que ela queria e eu mais ainda. Foi lindo. Na hora e por muito tempo, fiquei meio chocado com a sorte e acabei não tomando nenhuma decisão. O que não me arrependo, já que havia perdido a chance por erro meu e não havia como consertar. Tudo deveria ter acontecido naquela noite na praça da Liberdade.

Fácil dizer que após o namoro crítico com a Nádia e a minha sorte com a Tina, eu mudei. Quando vejo garotas falando sobre o quanto os homens são escrotos, pergunto logo sobre a primeira namorada do sujeito. As primeiras sempre moldam o caráter. Claro que existe muito cara que já nasce cachorro e não tem consideração alguma pelo sentimento alheio, mas a maioria (e incluindo mulheres), muda após o primeiro namoro que na maioria das vezes, é sinônimo de decepção. Eu comecei a cair na real e ver que a vida é rápida e curta demais para viver de forma tão séria. Às vezes temos a vontade de “entrar num casamento”, mas é errado ignorar os instintos. Cedo ou tarde, todo mundo falha. Ninguém é de ferro. Independente do quanto aquela pessoa seja o amor de sua vida, você vai decepcioná-la. E então, entram em cena os valores morais e o que realmente importa. Eu aprendi a viver uma vida com o mínimo de arrependimento. Agora, isto me torna mais forte ou feliz? Não. Perdi as pessoas que eu mais gostei. Por culpa do medo e insegurança, perdi várias vidas. Vários amores. Encontrei almas-gêmeas, mas na hora errada. Como disse, perdi várias chances do que poderia ter sido. Nunca vou poder voltar atrás e me contento com isso. O erro com a Tina, serviu para ensinar uma lição e acho que aprendi. Da maneira mais distorcida, mas aprendi. Não percam suas oportunidades. Existem coisas boas demais para você abrir mão.

A verdade é que a gente encontra vários amores. Cada um deles é o amor de nossa vida e a cada término, é uma vida que se acaba. Acho que sempre estaremos em busca do amor de nossas vidas, até que ela acabe. É o melhor que podemos fazer e esperar. Decepções sempre vão acontecer, mas será que vale a pena perder a próxima vida por conta de um amor mal-sucedido? Não mesmo. A gente vive agora e não depois.

O signo dela: Gêmeos.